De onde vem o teu poder rude, Herói?
Como consegue exercer tanta influência sobre minha vida?
Você é tão austero,
Uma figura imperiosa,
De ar sedutor...
Será que existe alguém imune ao teu poder?
Hoje estou tomado por intolerância,
Por uma revolta que me assola,
Um peso terrível sob meus ombros.
E ainda assim não consigo me desvincular de ti...
(Análises fracassadas)
(Lamentos repetitivos)
Achei que nossa relação fosse se desenvolver de outra forma...
Ou pelo menos deveria.
Sei lá...
Mas você não aspira humanidade.
Não é mesmo, meu herói? (Nesse momento tão calado)
Tuas ações não envolvem amizade.
Não envolvem amor.
Talvez um apego (somente).
Ah! Senhor de poder destruidor,
Perdi a fé na bondade humana.
Tanto tempo me fora roubado.
Tanto consumismo envolvendo minha rotina.
Onde ficou a proposta de voos livres, a vida de pássaros?
Já estou tão envelhecido, solitário.
Amedrontado...
E nem tenho forças para te julgar.
Só leio, tristemente, os contos derrocados da nossa vida.
(Essa é apenas mais uma passagem)
Onde você está, meu herói? Porque não me abastece (nunca)?
Tenho a alma seca para almejos de felicidade.
E os sorrisos alheios têm me ferido bruscamente.
Oh! Meu herói, por que sempre levas de mim, nunca traz?
Terei eu que me tornar um vilão para permanecer vivo?
(vazio)
Sonhei ser salvo por outro tipo de herói.
Desejei ser um herói também (confesso).
E se esse meu desejo, de alguma forma, te atormenta.
(imagino)
Eu, que já não distingo mais amor de feitiço,
Me atirarei inebriado a um abismo, nú.
Deflagrado freakshow...
Trazendo rumores sobre tuas lágrimas,
Sobre o herói que não foi capaz de salvar o “grande amor”.
Logo eu que sempre me coloquei deliberadamente a disposição da tua
proteção,
Agora morto.
Mas não se preocupe, meu herói.
Farei tudo isso sob o efeito de álcool
Oferecerei livramento para o teu Ego,
Minha embriaguez como álibi perfeito para o tua corriqueira distorção da realidade.
Não existirei mais.
Terás todo esplendor heroico,
Todo foco,
Toda uma vida.
Todo meu amor como impulso eterno.