sábado, 1 de junho de 2013

Herói. sqn


De onde vem o teu poder rude, Herói?
Como consegue exercer tanta influência sobre minha vida?
Você é tão austero,
Uma figura imperiosa,
De ar sedutor...
Será que existe alguém imune ao teu poder?
Hoje estou tomado por intolerância,
Por uma revolta que me assola,
Um peso terrível sob meus ombros.
E ainda assim não consigo me desvincular de ti...
(Análises fracassadas)
(Lamentos repetitivos)
Achei que nossa relação fosse se desenvolver de outra forma...
Ou pelo menos deveria.
Sei lá...
Mas você não aspira humanidade.
Não é mesmo, meu herói? (Nesse momento tão calado)
Tuas ações não envolvem amizade.
Não envolvem amor.
Talvez um apego (somente).
Ah! Senhor de poder destruidor,
Perdi a fé na bondade humana.
Tanto tempo me fora roubado.
Tanto consumismo envolvendo minha rotina.
Onde ficou a proposta de voos livres, a vida de pássaros?
Já estou tão envelhecido, solitário.
Amedrontado...
E nem tenho forças para te julgar.
Só leio, tristemente, os contos derrocados da nossa vida.
(Essa é apenas mais uma passagem)
Onde você está, meu herói? Porque não me abastece (nunca)?
Tenho a alma seca para almejos de felicidade.
E os sorrisos alheios têm me ferido bruscamente.
Oh! Meu herói, por que sempre levas de mim, nunca traz?
Terei eu que me tornar um vilão para permanecer vivo?
(vazio)
Sonhei ser salvo por outro tipo de herói.
Desejei ser um herói também (confesso).
E se esse meu desejo, de alguma forma, te atormenta.
 (imagino)
Eu, que já não distingo mais amor de feitiço,
Me atirarei inebriado a um abismo, nú.
Deflagrado freakshow...
Trazendo rumores sobre tuas lágrimas,
Sobre o herói que não foi capaz de salvar o “grande amor”.
Logo eu que sempre me coloquei deliberadamente a disposição da tua proteção,
Agora morto.
Mas não se preocupe, meu herói.
Farei tudo isso sob o efeito de álcool
Oferecerei livramento para o teu Ego,
Minha embriaguez como álibi perfeito para o tua corriqueira distorção da realidade.
Não existirei mais.
Terás todo esplendor heroico,
Todo foco,
Toda uma vida.
Todo meu amor como impulso eterno.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Eu já quase fui amado


Ele está vivo,
E eu já quase morto.
Despreparado, desmedido,
Fugindo aos versos pra tentar esquecer.

Ele está feliz,
E eu já quase um tolo.
Demente, delirando,
Procurando firmeza onde não há chão.

Ele está sorrindo,
E eu já quase um ninguém,
Desocupado, desalinhado,
Vagando pela casa com as luzes apagadas.

Ele está longe,
E eu já perto do fim.
Desiludido, desfigurado,
Deixando de ser o pouco que um dia fui.

Ele está onde quer,
E eu já não sei o que é querer,
Desmotivado, desanimado,
Tomado por fome e entregue a preguiça.

Ele está acompanhado,
E eu não sou o que ele quer,
Desgraçado, fudido e mal pago,
Gritando aos berros sem parar de beber.

Dissabor da vida


Tem dias que dá medo de viver...
Pesa o simples fato de existir,
Revolta a maldade humana,
Dói amar quem não te ama.


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sou apenas um Lampejo



Hoje, num determinado instante, ouvi meu coração bater.
Aquilo me soou tão alto, tão incrível!
Como antes nunca havia escutado aquele som?
O som que sempre me acompanhara,
O barulho da minha engrenagem ...
Senti-me um tolo, mas ao mesmo tempo encantado.
E num segundo momento ouvi forte também minha respiração,
Num volume tão destacado de todos os sons a minha volta,
Que pensei estar desfalecendo ou algo assim... Mas não!
Fechei meus olhos e fiquei ali,
Ouvindo aqueles sons tão íntimos e tão desconhecidos...
Percebi que acabara de abrir alguma porta que estava fechada em mim.
Pateticamente sorri, ao lembrar-me da minha idade...
O som do batimento passou então a me causar certa aflição.
Senti-me um relógio em contagem regressiva.
Um arrepio me tocou na espinha, após, uma contração muscular...
E numa breve consideração dimensional do mundo,
Considerei ainda a brevidade da minha existência...
E o som da minha respiração,
E o som dos meus batimentos,
Ressoavam cada vez mais limpos, mais altos...
Foi então que entendi:
Aquela porta que abri não possuía chave.
Tratava-se, pois, de uma decisão,
De permanecer ouvindo ou não aqueles sons,
De estar vivo ou voltar para os alheios barulhos mundanos...
(me escolhi)
E d’alí em diante,
Cada passo que dou é projetado por um forte respirar,
Cada palavra que digo é regida pela sinfonia do meu pulsar,
E mesmo sabendo que uma hora vou tão discreto quanto vim,
Já não me assusta mais a contagem regressiva...
Sou apenas um lampejo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sua Falta Desesperadora


Faz quatro dias que tua estrela se apagou
E a falta da tua luz,
Confunde ainda mais o meu caminho.

Não há horizonte, não há rota...
Destino traçado em folha,
Borrado se faz em meio às lágrimas.

É como se nunca existiras,
É como se nunca estiveras estado aqui,
É como um sonho bom que findou.

O velho coração nunca esteve tão só.
Nem tão vazio,
Com medo de tudo.

Teme por delirar tragédias,
Entristece por amargurar o passado,
Reza por um bem-querer supremo.

Clamor profundo, de alma doce...
De um sabor confuso,
De um custoso desfrute.

É um sucumbir sem fim,
Um desencontro que parece eterno...
Frágeis amores afogados em suas dores.


domingo, 22 de julho de 2012

E o dia se fez assim...




Minha queda já não é tão livre
Saio d’uma estrada giratória
E um feliz intento resplandece
Fugindo da circunstância baldia
Sobrevivendo a destinos desaprumados
Descobrindo que velocidade inconstante
Nada tem a ver com falta de voracidade
A peça do quebra cabeça que faltava
Retorna e completa a tela da vida
Em cada lágrima hoje derramada
Não há tristeza nem alegria
Há apenas a saudade do colo
Da pura sutileza do toque
Do cheiro devolvido
Do sorriso único
Insaciável beijo
Saboroso-doce
Saboroso-amargo
Saboroso-saboroso